Saneamento avança, mas Brasil ainda joga 55% do esgoto que coleta na natureza, diz estudo

Apenas 45% do esgoto do país é tratado, apontam os dados mais recentes do governo. Em 2015, na ONU, Brasil se comprometeu a universalizar serviços de saneamento até 2030.


Por Clara Velasco, G1 (disponível em g1.globo.com)

 

“Apenas 45% do esgoto gerado no Brasil passa por tratamento. Isso quer dizer que os outros 55% são despejados diretamente na natureza, o que corresponde a 5,2 bilhões de metros cúbicos por ano ou quase 6 mil piscinas olímpicas de esgoto por dia. É o que aponta um novo estudo do Instituto Trata Brasil obtido pelo G1 e que será divulgado nesta quarta-feira (18).

O estudo é feito com base nos dados mais recentes do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), que se referem ao ano de 2016. Eles foram divulgados apenas neste ano.

Os números indicam que o saneamento tem avançado no país nos últimos anos, mas pouco. Veja os destaques:

  • Em 2016, 83,3% da população era abastecida com água potável, o que quer dizer que os outros 16,7%, ou 35 milhões de brasileiros, ainda não tinham acesso ao serviço. Em 2011, o índice de atendimento era de 82,4%. A evolução foi de 0,9 ponto percentual.
  • Quanto à coleta de esgoto, 51,9% da população tinha acesso ao serviço em 2016. Já 48,1%, ou mais de 100 milhões de pessoas,utilizavam medidas alternativas para lidar com os dejetos – seja através de uma fossa, seja jogando o esgoto diretamente em rios. Em 2011, o percentual de atendimento era de 48,1% — um avanço de 3,8 pontos percentuais.
  • Apenas 44,9% do esgoto gerado no país era tratado em 2016. Em 2011, o índice era de 37,5% — uma evolução de 7,4 pontos percentuais.

Historicamente, os números de esgoto são piores que os de água no país por conta da falta de prioridade nas políticas públicas, maior custo de investimento e de dificuldade nas obras, entre outros motivos.

Por isso, mesmo tendo apresentado a maior alta entre os indicadores, o acesso ao tratamento no país continua baixo, já que o esgoto que não é tratado é jogado diretamente na natureza, causando problemas ambientais e sanitários.

“No caso do tratamento de esgoto, houve um pouco mais de um ponto percentual de alta por ano. Se considerarmos que não chegamos nem nos 50% de atendimento, estamos falando de mais de 50 anos [para universalizar]. Isso é inaceitável. É muito tempo para ter essa estrutura tão essencial, que é a do saneamento”, diz Édison Carlos, presidente executivo do instituto.

O ritmo lento ainda vai de encontro a compromissos assumidos pelo país tanto em políticas públicas nacionais, como os do Plano Nacional de Saneamento Básico , como internacionais, como os assinados na Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, em 2015. O país se comprometeu a, até 2030, universalizar o acesso a água potável e “alcançar o acesso a saneamento e higiene adequados e equitativos para todos”.

Lixo jogado em esgoto a céu aberto no rio Negro; mais de 50% do esgoto coletado no país é jogado na natureza sem tratamento (Foto: Ive Rylo/ G1 AM)

Lixo jogado em esgoto a céu aberto no rio Negro; mais de 50% do esgoto coletado no país é jogado na natureza sem tratamento (Foto: Ive Rylo/ G1 AM)

Grandes centros urbanos

O estudo do Trata Brasil destaca ainda o desempenho das 100 maiores cidades do país em comparação com a média nacional. Segundo Édison Carlos, estas cidades deviam puxar o crescimento do país, já que têm estruturas públicas e privadas mais bem desenvolvidas e abrangem cerca de 40% da população do Brasil.

As diferenças entre os índices nacionais e os dessas cidades, porém, são poucas. O índice de perda de água é de 39,1%, contra os 38,1% nacionais. Quanto ao tratamento de esgoto, a situação é melhor (54,3% do esgoto tratado, contra 45%), mas o ritmo foi semelhante (aumento de 7,7 pontos percentuais, contra 7,4).

Segundo Édison Carlos, a diminuição nos investimentos públicos é um dos motivos para os avanços pouco significativos no setor. De 2015 para 2016, os investimentos em água e esgoto no país caíram de R$ 13,26 bilhões para R$ 11,51 bilhões. Já entre as maiores cidades, o valor caiu de R$ 7,11 bilhões para R$ 6,6 bilhões.

“O investimento estava estagnado e caiu. Além disso, desses R$ 11 bilhões de investimento nacional, cerca de R$ 4 bilhões são de São Paulo. Ou seja, esse valor oculta uma realidade, que é a concentração grande de investimento onde a situação já é melhor. O investimento é muito desigual”, diz Édison Carlos.

Considerando as 100 maiores cidades do país, uma comparação entre as 20 melhores e as 20 piores escancara estas desigualdades. O investimento médio anual por habitante nas melhores foi de R$ 84,55; já nas piores, foi de R$ 29,31.

“As cidades não param de crescer, então mesmo as com os melhores índices continuam investindo para conseguir universalizar os serviços, trocar redes antigas e diminuir perda de água. Por outro lado, muitas cidades apresentam péssimos indicadores e investem pouco”, diz o presidente do Trata Brasil.

O estudo ainda aponta que menos de um quarto dos recursos arrecadados com saneamento foi reinvestido no setor. São considerados não apenas os investimentos realizados pela prestadora do serviço, mas também os feitos pelo poder público.

Desigualdades regionais

As diferenças entre as 100 maiores cidades do país são vistas em todos os índices de saneamento. Veja alguns destaques:

  • Abastecimento de água: 20 municípios possuem 100% de atendimento da população, e 41 cidades tem atendimento superior a 99%. A grande maioria (90 das 100) atende mais de 80% da população com água potável. Ao mesmo tempo, porém, apenas 30% da população de Ananindeua, no Pará, é atendida.
  • Coleta de esgoto: dois municípios possuem 100% de esgoto: Cascavel (PR) e Piracicaba (SP). Outras 10 cidades possuem índice superior ou igual a 99% e também podem ser considerados universalizados. Mas, em 21 cidades, o índice não chega a 40%. Ananindeua novamente é a pior cidade, com 0,75% da população atendida.
  • Tratamento de esgoto: Mais da metade das cidades (54) tem menos de 60% do esgoto tratado. Apenas seis relataram tratar todo o esgoto. Em Governador Valadares (MG), Nova Iguaçu (RJ) e São João do Meriti (RJ), não há nenhum tipo de tratamento.
  • Perda de distribuição de água: o índice considera o volume de água produzida e o volume entregue. As perdas ocorrem por vazamentos, “gatos” etc. A média de água perdida entre as 100 maiores cidades foi de 39%. A cidade com menos perdas foi Palmas, com 13%, e a com maior desperdício foi Porto Velho (71%).”
Esgoto em rua de Salvador, na Bahia; comparação entre 100 maiores cidades do país destaca as desigualdades regionais (Foto: Alberto Luciano/TV Bahia)

Esgoto em rua de Salvador, na Bahia; comparação entre 100 maiores cidades do país destaca as desigualdades regionais (Foto: Alberto Luciano/TV Bahia)

Ranking do saneamento

O estudo também fez um ranking das 100 maiores cidades do país baseado nos diversos indicadores de saneamento básico, como acesso ao abastecimento de água e à coleta de esgoto, o percentual do esgoto tratado e investimentos e arrecadação no setor. Veja a lista abaixo.

1º – Franca (SP)
2º – Cascavel (PR)
3º – Uberlândia (MG)
4º – Vitória da Conquinta (BA)
5º – Maringá (PR)
6º – Limeira (SP)
7º – São José dos Campos (SP)
8º – Taubaté (SP)
9º – São José do Rio Preto (SP)
10º – Uberaba (MG)
11º – Campina Grande (PB)
12º – Santos (SP)
13º -Londrina (PR)
14º – Ponta Grossa (PR)
15º – Petrolina (PE)
16º – Piracicaba (SP)
17º – Curitiba (PR)
18º – Campinas (SP)
19º – Niterói (RJ)
20º – Jundiaí (SP)
21º – Ribeirão Preto (SP)
22º – Sorocaba (SP)
23º – São Paulo (SP)
24º – Goiânia (GO)
25º – Mauá (SP)
26º – Campo Grande (MS)
27º – Petrópolis (Rj)
28º – Suzano (SP)
29º – Praia Grande (SP)
30º – Belo Horizonte (MG)
31º – Porto Alegre (RS)
32º – Mogi das Cruzes (SP)
33º – Palmas (TO)
34º – Campos dos Goytacazes (RJ)
35º – Brasília (DF)
36º – Montes Claros (MG)
37º – João Pessoa (PB)
38º – Caxias do Sul (RS)
39º – Rio de Janeiro (RJ)
40º – Diadema (SP)
41º – Salvador (BA)
42º – Feira de Santana (BA)
43º – Santo André (SP)
44º – São Bernardo do Campo (SP)
45º – São José dos Pinhais (PR)
46º – Contagem (MG)
47º – Aracaju (SE)
48º – Taboão da Serra (SP)
49º – Guarujá (SP)
50º – Caruaru (PE)
51º – Vitória (ES)
52º – Osasco (SP)
53º – Carapicuíba (SP)
54º – Betim (MG)
55º – Anápolis (GO)
56º – Boa Vista (RR)
57º – Guarulhos (SP)
58º – Florianópolis (SC)
59º – Serra (ES)
60º – Blumenau (SC)
61º – Juiz de Fora (MG)
62º – Governador Valadores (MG)
63º – São Vincente (SP)
64º – Camaçari (BA)
65º – Fortaleza (CE)
66º – Mossoró (RN)
67º – Cuiabá (MT)
68º – Santa Maria (RS)
69º – Paulista (PE)
70º – Ribeirão das Neves (MG)
71º – Vila Velha (ES)
72º – Caucaia (CE)
73º – Itaquaquecetuba (SP)
74º – Maceió (AL)
75º -Bauru (SP)
76º – São Luís (MA)
77º – Recife (PE)
78º – Aparecida de Goiânia (GO)
79º – Natal (RN)
80º – Olinda (PE)
81º – Joinville (SC)
82º – Canoas (RS)
83º – Pelotas (RS)
84º – Teresina (PI)
85º – Jaboatão dos Guararapes (PE)
86º – Belford Roxo (RJ)
87º – Cariacica (ES)
88º – São João do Meriti (RJ)
89º – Várzea Grande (MT)
90º – Rio Branco (AC)
91º – Gravataí (RS)
92º – Duque de Caxias (RJ)
93º – Nova Iguaçu (RJ)
94º – São Gonçalo (RJ)
95º – Macapá (AP)
96º – Manaus (AM)
97º – Santarém (PA)
98º – Belém (PA)
99º – Ananindeua (PA)
100º – Porto Velho (RO)

 

 

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DIA MUNDIAL DA CONSERVAÇÃO DO SOLO

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O USO ABUSIVO DOS AGROTÓXICOS E O MAL QUE ELES FAZEM À SAÚDE HUMANA

 

“O avião percorre numa velocidade média os campos de plantações. O ronco do motor destoa do silêncio. De vez em quando, vê-se uma nuvem de fumaça sendo aspergida sobre o solo e alguém, que está por trás da câmera, comenta algo. O cenário fica em Mato Grosso e quem filma a viagem do avião é um representante da Opan (Operação Amazônia Nativa) entidade que defende os direitos dos povos indígenas. A denúncia é que o limite de 250 metros de distância obrigatório por lei para aspergir agrotóxico foi violado pelo piloto flagrado nas imagens. Índios reclamaram de doenças respiratórias por causa das substâncias.

O Brasil comemora o fato de ter a segunda maior frota de aviação agrícola do mundo. No ano passado, eram registradas 2.115 aeronaves, 2.108 delas aviões. Brasil tem a 2ª maior frota de aviação agrícola do mundo. Com 464 aeronaves, Mato Grosso é o estado com a maior frota do país. Rio Grande do Sul (427) e São Paulo (312) vêm na sequência. A maior frota do mundo pertence aos Estados Unidos (3.600 aeronaves), seguida do México,que ocupa o terceiro lugar no ranking.

Aviões agrícolas foram feitos para distribuir sementes e aplicar defensivos agrícolas, inseticidas, nas lavouras. Também chamados de agrotóxicos. O Brasil consome 20% de todo agrotóxico comercializado mundialmente. E este consumo tem aumentado significativamente nos últimos anos.

Apesar de serem motivo de comemoração, o aumento do número de aviões agrícolas e do consumo de agrotóxicos não são notícias boas para quem consome os alimentos. Há um uso abusivo dessas substâncias, o que pode causar doenças graves nos humanos.

Depois de estudar cerca de três anos exaustivamente o tema dos agrotóxicos, a professora de Geografia Agráriada USP Larissa Mies Bombardi escreveu uma tese, chamada “Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia”, em que enfatiza essas questões. Sobretudo fica bem claro, depois da leitura do livro (é possível ler aqui, em PDF), que o marco regulatório da União Europeia é bem mais restritivo com relação aos agrotóxicos do que as proibições impostas, aqui no Brasil, aos que produzem essas substâncias.

“A União Europeia implantou em 2011 um marco regulatório mais restritivo para os agrotóxicos, fazendo com que uma série de ingredientes ativos esteja em fase de banimento na região do bloco econômico. 30% de todos os agrotóxicos utilizados no Brasil são proibidos na União Europeia. E entre os dez ingredientes ativos mais vendidos no Brasil dois são proibidos na união europeia”, escreve ela.

“Atrazina é um inseticida que foi proibido na União Europeia em 2014e que, no Brasil, segue autorizado para os cultivos de abacaxi, cana-de-açúcar, milho, milheto, pinus, seringueira, sisal e sorgo. Mato Grosso do Sul lidera o uso seguido por São Paulo e Mato Grosso. No Brasil estão autorizados, para o cultivo do café, 121 diferentes agrotóxicos. Trinta deles são proibidos na União Europeia há 15 anos”, escreve ela.

Um aspecto da diferença de quantidade de agrotóxicos usados no Brasil e na União Europeia é evidente, em números absolutos. A outra parte é invisível: diz respeito à quantidade de resíduos de agrotóxicos permitida nos alimentos e na água. Isso atinge não só a população rural, como os índios que estão denunciando na reportagem através da organização que os defende, como a população do mundo todo que consome tais produtos.

“Há um fenômeno, quando se pratica a pulverização aérea, denominado “deriva” que se refere à quantidade de agrotóxicos que não atinge o chamado “cultivo-alvo” e que se dispersa no ambiente. Fatores que influenciam a deriva, segundo a Associação Nacional de Defesa Vegetal: vento, temperatura do ar, umidade relativa do ar, distância do alvo, velocidade de aplicação e tamanho das gotas”, escreve a professora em sua tese.

Os agrotóxicos foram desenvolvidos na Primeira Guerra Mundial e usados como arma química na Segunda Guerra Mundial. Quando acabou a guerra, eles começaram a ser usados também para defender os agricultores das pragas que podiam acabar com seu sustento e, mais do que isso, arruinar plantações que poderiam alimentar as pessoas. Até hoje há quem os defenda dessa maneira, ou seja, como ferramentas indispensáveis para permitir que os 7 bilhões de humanos possam se alimentar.

As denúncias feitas por organizações e pesquisadores que estudam o tema levam a outro caminho e apontam para os riscos do uso dessas substâncias. Vandana Shiva, cientista, pesquisadora, filósofa, criadora do Banco de Sementes em seu país, a Índia, conta que passou a pesquisar sobre os malefícios do uso de agrotóxicos para a saúde humana quando, há mais de trinta anos, foi testemunha de um acidente ocorrido numa fábrica de inseticidas e que matou mais de 35 mil indianos.

“Os agrotóxicos foram criados na Guerra para matar pessoas”, diz ela.

A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) fez também um documento apontando problemas com o uso abusivo de agrotóxicos. Chamado “Impactos dos Agrotóxicos na Saúde”, o dossiê não deixa nem margem para dúvidas. Segundo os cientistas, “os agrotóxicos fazem mal à saúde das pessoas e ao meio ambiente”. Alguns dados coletados no estudo corroboram a afirmação:

“Entre 2007 e 2014 o Ministério da Saúde recebeu 34.147 notificações de intoxicação por agrotóxico”.

“Entre 2000 e 2012 o Brasil teve um aumento de 288% do uso de agrotóxicos”.

“Relatório da Anvisa de 2013 constatou que 64% dos alimentos estão contaminados por agrotóxicos”.

Diante disso, o faturamento da indústria de agrotóxicos no Brasil em 2014, que foi de US$ 12 bilhões, deixa extremamente claro que estamos diante de um dos muitos casos em que o desenvolvimentismo se volta contra a saúde e o bem-estar das pessoas.

É preciso achar um equilíbrio. Ou, que cada um de nós passe a fazer mais contato com os alimentos que consumimos. Talvez não seja tão fácil num primeiro momento, mas a informação é bastante para se começar um movimento neste sentido.”

 

Fonte: Amelia Gonzalez – G1

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AMOSTRAGEM A BAIXA VAZÃO (LOW FLOW) HIDROSUPRIMENTOS

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Responsabilidade por ilícitos ambientais é transferida junto com imóvel

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Crédito da foto: UOL Notícias

 

“A responsabilidade pela prática de ilícitos ambientais é uma obrigação relativa ao imóvel (propter rem). Dessa maneira, é transmitida a quem assume a propriedade. Com esse entendimento, a 3ª Vara da Seção Judiciária de Montes Claros (MG) reconheceu multa de R$ 3 milhões a um dono de áreas rurais próximas ao Rio São Francisco, no município de Pintópolis (MG).

A sanção foi aplicada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) pela construção de seis aterros nos canais de abastecimento de lagoas marginais ao rio São Francisco. Segundo os ribeirinhos moradores da região, a obra de barramento das águas era recente e provocou a redução do nível das lagoas.

Inconformado com a penalidade, o proprietário das fazendas moveu ação pedindo a nulidade da multa. Ele alegou que adquiriu as áreas em 2014, após o início da vigência do novo Código Florestal, e que as construções ocorreram antes, em 2008. Por essa razão, ele argumentou que as obras estariam cobertas por anistia concedida pela norma e que somente o proprietário anterior das terras deveria ser responsabilizado.

O pedido foi contestado pela Advocacia-Geral da União. A AGU apresentou relatório da equipe de fiscalização, que incluía entrevistas com ribeirinhos e imagens de satélite apontando que as construções dos aterros eram recentes, para afastar a aplicação de anistia.

Responsabilidade ambiental
A AGU argumentou, ainda, que a responsabilidade pela prática de ilícitos ambientais é propter rem, ou seja, é transmitida a quem assume a escritura pública da propriedade. Assim, não caberia falar em culpa do antigo proprietário e afastamento da sanção aplicada pela fiscalização ambiental do Estado.

Além disso, os procuradores federais disseram que o Ibama agiu no estrito cumprimento de sua missão institucional e no uso de poder de polícia que lhe é conferido pela legislação, tendo aplicado a multa observando os princípios da razoabilidade e legalidade.

A 3ª Vara da Seção Judiciária de Montes Belos considerou válido o auto de infração e negou os pedidos do autor. De acordo com o juiz, a responsabilidade civil pela reparação dos danos ambientais, a manutenção e recomposição das áreas de preservação permanente são consideradas obrigações propter rem. Assim, são de responsabilidade do proprietário atual. Com informações da Assessoria de Imprensa da AGU.”

Processo 1318-82.2017.4.01.3807

* Texto atualizado às 11h50 do dia 31/3/2018 para correção.

Fonte: Revista Consultor Jurídico, 30 de março de 2018, 14h51

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DIA DA ENGENHARIA. PARABÉNS !!!

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CETESB: A agência ambiental paulista surgiu na hora certa

 

Questões do saneamento básico e do controle da poluição do ar foram equacionadas com a criação da CETESB

 

Texto: Mário Senaga
Revisão: Cris Leite
Foto: Arquivo CETESB

 

“Afinal, como nasceu a CETESB, a primeira agência ambiental do país, e em que circunstâncias? Vamos aqui procurar detalhar um pouco do contexto da época e das necessidades que se fizeram primordiais para a criação da Companhia.

No final da década de 1960, a partir da constatação de que a promoção da saúde pública estava particularmente condicionada à existência de ampla distribuição de água potável e de sistemas de esgotos sanitários, mobilizou-se no Estado de São Paulo gigantesco esforço para o equacionamento da questão do saneamento básico.

Por outro lado, havia registros em jornais de episódios agudos de poluição do ar, que levavam a população ao pânico devido aos fortes odores, decorrentes do excesso de poluentes lançados pelas indústrias na atmosfera, causando mal-estar e levando pessoas a procurarem os serviços médicos de emergência. O crescimento rápido e desordenado da cidade havia levado, no início dos anos 1960, à criação da Comissão Intermunicipal de Controle da Poluição das Águas e do Ar – CICPAA, envolvendo os municípios de Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e Mauá.

Era comum, porém, aparecerem na imprensa ideias estapafúrdias como: “O brasileiro não vai viver de ar puro e água limpa, precisa é de empregos”. “Poluição? Coisa de americanos. Uma discussão ridícula para países subdesenvolvidos”… Entretanto, a história mostrou que aquelas perspectivas mudaram radicalmente e passaram a exigir imediatas providências para mudar os rumos das soluções no controle da poluição do ambiente.

Chegamos, assim, ao ano de 1968. Pela Lei nº 10.107, de 8 de maio desse ano, criou-se o Fundo Estadual de Saneamento Básico – FESB. De acordo com essa lei, o Poder Executivo ficava autorizado a unificar os laboratórios pertencentes ou vinculados à Secretaria dos Serviços e Obras Públicas, que passariam ”a constituir um centro de estudos, pesquisas, ensaios e exames, levantamentos e treinamento de pessoal no campo da engenharia sanitária”. Na mesma lei, dizia-se que “a entidade resultante dessa unificação será dirigida” pelo Conselho Administrativo do FESB. Assim, no dia 24 de julho desse mesmo ano – 1968, conforme o Decreto de nº 50.079, criou-se, na estrutura do FESB, o Centro Tecnológico de Saneamento Básico, “o CETESB”.

Desta forma, o CETESB não nasceu como um órgão autônomo, mas como um ajuntamento de laboratórios ligados ao FESB. Ainda, o decreto dispunha sobre a construção do Centro Tecnológico e determinava que o CETESB seria sediado no edifício originariamente destinado a laboratórios do Departamento de Águas e Esgotos, que estava sendo instalado junto à Estação de Tratamento de Esgotos de Pinheiros, utilizando também da área anexa, de aproximadamente 4 mil metros quadrados, da mesma propriedade.

Algum tempo depois, no início da década de 1970, um fato que iria também influenciar na formação do Centro Tecnológico foi o da incorporação, pela Superintendência de Saneamento Ambiental – SUSAM, vinculada à Secretaria de Saúde do Estado, das atividades da antiga CICPAA.  Desde então, esse órgão passou a tratar dos aspectos relacionados à poluição atmosférica, no Estado de São Paulo.

Finalmente, em abril de 1975, através dos Decretos 5.592 e 5.593, a antiga CETESB assumiu as atribuições da SUSAM, relativas ao controle da qualidade do ar. E, ao mesmo tempo, o Governo do Estado aumentou a sua área de atuação, incluindo entre as suas responsabilidades o controle da poluição sonora, assim como também alterava sua denominação para Companhia Estadual de Tecnologia de Saneamento Básico e de Defesa do Meio Ambiente.

Antes disso, em 29 de junho de 1973, pela Lei nº 118, assinada pelo então governador Laudo Natel, se autorizava a constituição de uma sociedade por ações, sob a denominação de CETESB – Companhia de Tecnologia de Saneamento Básico e de Controle de Poluição das Águas. O primeiro diretor-presidente da CETESB foi Otacílio Alves Caldeira, que havia  ocupado o cargo de diretor do antigo CETESB, quando este ainda era subordinado ao FESB. Nascia uma das maiores e mais importantes empresas de saneamento do mundo. Pioneira no saneamento básico e ambiental no Brasil.

As instalações da CETESB no atual endereço, na Av. Prof. Frederico Hemann Jr., 345 – Alto de Pinheiros, foram inauguradas no dia 4 de fevereiro de 1969, pelo governador Roberto Costa de Abreu Sodré, ao lado do secretário dos Serviços e Obras Públicas Eduardo Riomey Yassuda; do presidente do Conselho Administrativo do FESB, Agato Mingione; do superintendente do FESB, Benedito Barbosa Pereira; e do diretor do CETESB, Otacílio Alves Caldeira. Abreu Sodré descerrou a placa comemorativa de inauguração do então CETESB.”

 

Fonte: cetesb.sp.gov.br

 

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TRADIÇÃO E QUALIDADE A SERVIÇO DO MEIO AMBIENTE

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FELIZ PÁSCOA !!!

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SEXTA-FEIRA SANTA. UM ÓTIMO FERIADO A TODOS !!!

 

 

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