A ciência da Terra descoberta por quem trabalha com ela

“Não é raro ver o ônibus do Instituto de Geociências (IGc) da USP, em São Paulo, saindo da Cidade Universitária para uma atividade de campo fora da capital. Com dois cursos de graduação – Bacharelado em Geologia e Licenciatura em Geociências e Educação Ambiental – e diversas pesquisas em áreas como recursos minerais, hidrogeologia e geoquímica, essas saídas são parte importante da formação dos alunos e necessárias à coleta de material para estudo.

No último dia 11 de dezembro, no entanto, quem ocupava os lugares no ônibus eram profissionais de vigilância, tesouraria, almoxarifado, informática, entre outras seções que apoiam a unidade e contribuem para que ela possa cumprir sua missão na Universidade. Eles partiram rumo à cidade de Taubaté para explorar uma mina de argila e conhecer um museu de história natural.

“A atividade permite que eles conheçam mais o que é e como se trabalha em geologia e mostra que todos no instituto estão num objetivo comum – formação e pesquisa em geociências -, além de ser uma excelente forma de confraternização”, diz o professor Paulo César Boggiani, responsável pela iniciativa.

A convite dele, a equipe do Jornal da USP acompanhou a ida ao Vale do Paraíba e viu de perto um pouco do que são as ciências da Terra.

Reportagem: Aline Naoe | Fotos: Cecília Bastos |  Diagramação: Moisés Dorado I Disponível em jornal.usp.br

O ônibus deu partida às 7h39 com destino a Taubaté. A primeira parada foi o Museu de História Natural da cidade, inaugurado em 2004. Lá, acompanhados de dois professores do Instituto de Geociências, os funcionários fizeram um passeio pela história evolutiva da Terra. Animais taxidermizados (que passaram por um processo de embalsamamento), fósseis originais e réplicas, esqueletos e rochas são parte do acervo exposto

No dia anterior, eles participaram de um curso para entender o que é geologia, como surgiu o Instituto de Geociências, um pouco da história do ciclo do café no Vale do Paraíba e a sedimentação e paleontologia da chamada Formação Tremembé. Essa formação está localizada, principalmente, nas cidades de Taubaté, Tremembé e Pindamonhangaba, onde há exploração comercial para obtenção de um tipo de argila 

Não foi combinado, mas ao chegarmos no Museu de História Natural de Taubaté, encontramos seu fundador, o pesquisador Herculano Alvarenga. Foi ele quem descobriu o esqueleto quase completo de uma ave carnívora gigante – a Paraphysornis brasiliensis. Ela viveu há cerca de 22 milhões de anos na América do Sul e virou símbolo do museu

A descoberta da ave foi feita na própria região, a poucos quilômetros de onde está o museu. O local é rico tanto em quantidade como em diversidade de fósseis. Lá, os sedimentos são compostos por folhelhos, um tipo de rocha composta por lâminas finas, intercalados por areia e bolsões de argilas de cor esverdeada

No museu, o trajeto sugere uma ordem cronológica para que o visitante viva a evolução a cada passo. Um dos participantes da atividade é Julio de Jesus dos Santos. Mesmo trabalhando há 20 anos no IGc, o funcionário do Serviço de Acompanhamento de Obras diz que sempre há o que descobrir por lá. “A gente percebe que a USP não conhece a própria USP”.

Miriam Della Posta de Azevedo cuida do acervo do Museu de Geociências do IGc e da organização de exibições dentro e fora do local. Ela e o doutorando Rafael Casati observam rochas e gemas pertencentes ao museu do IGc que foram emprestadas à instituição de Taubaté

Parte do corpo técnico do Departamento de Mineralogia e Geotectônica, Artur Takashi Onoe pega os instrumentos para exploração da mina de argila, na segunda parte da atividade de campo

Próximo à entrada da mina, o professor Paulo César Boggiani, que coordenou toda a atividade, dá uma pausa para explicar como se formou o Vale do Paraíba. Trata-se de uma fossa tectônica, ou seja, uma depressão no terreno provocada pela movimentação das placas tectônicas, delimitada pela Serra da Mantiqueira e pela Serra do Mar

A mina visitada pela turma do Instituto de Geociências pertence à empresa Aligra. A argila retirada do local é do tipo montmorilonítica, usada principalmente para filtrar óleos. Ela pode ser aplicada também em fertilizantes agrícolas, impermeabilização de solos e sanitários para gatos, por exemplo. Com a chuva que caiu na cidade poucos dias antes, apenas a parte superficial da mina ficou exposta, mas foi o suficiente para que os participantes encontrassem pequenos fósseis, principalmente de plantas

O paleontólogo Thomas Rich Fairchild é professor aposentado do IGc. O sotaque é americano, mas a linguagem é a mais simples possível. Paciente e bem-humorado, ele tira dúvidas dos funcionários, que com frequência o cercam para checar se o que encontraram é ou não um fóssil. Ele explicou aos participantes os principais instrumentos utilizados pelos geólogos nas atividades de campo – capacete, óculos, bússola, martelo, fita crepe e a caderneta para registro das observações

De capacete amarelo, Luzinete da Silva é funcionária da Seção de Pessoal. Entre selfies e muitas risadas, ela explora a mina para, talvez, encontrar algum vestígio de animal ou planta. À frente, a funcionária da Seção de Almoxarifado e Patrimônio, Angela Nishimura. Há quase 8 anos na USP, ela elogia a iniciativa. “Saímos do ambiente de trabalho, conhecemos outros funcionários e entendemos melhor o que o instituto faz”.

A atividade da lavra na mina de argila acaba trazendo à tona sedimentos com muitos fósseis, explica o professor Boggiani. Eles foram preservados por se depositarem no fundo de lagos. Estes vestígios são dos períodos Oligoceno e Mioceno, com idade entre 25 e 23 milhões de anos

Há 23 anos na USP, Antonio Soares Viana é, atualmente, funcionário da Seção de Portaria e Vigilância do IGc. Trabalhou durante sete anos no Museu de Geociências, período em que aprendeu sobre rochas, gemas, meteoritos e fósseis. Ele chegou a fazer cursos na área e até coleciona pedras 

Não é a primeira vez que o professor Boggiani coordena o programa, que ficou conhecido como “Geociências para a Geociências”. Em anos anteriores, ele também organizou a ida de funcionários para o Caminho do Mar (Estrada Velha de Santos), para a Floresta Nacional de Ipanema e para a Caverna do Diabo.”

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